Logon
Blog

A importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer de mama

Descoberta da doença no primeiro estágio aumenta chances de desfecho positivo

​​

Apesar de o câncer de mama ser mais frequente a partir dos 40 anos, mulheres mais jovens também podem ser vítimas dessa neoplasia. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, só no último ano, o Brasil registrou mais de 66 mil novos casos da doença. Neste texto, o Dr. Gustavo Iglesias, mastologista do Centro Médico do Hospital São Lucas, na Gávea, fala mais sobre o assunto. 

O que é câncer de mama?

O câncer de mama é uma alteração causada pelo surgimento de um tumor maligno, composto por células anormais que se multiplicam desordenadamente na região dos seios. Essa condição incide sobretudo nas mulheres, mas também pode, raramente, acometer homens. 

Quais os primeiros sintomas do câncer de mama?

Atualmente, o câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente entre a população feminina. Suas primeiras manifestações são:

  • nódulo – o “caroço" fixo e indolor é a principal manifestação;
  • variações na aparência da mama – avermelhada ou inchada com enduramento (aspecto de “casca de laranja"); presença de retrações da pele dos seios;
  • alterações no bico do peito, como vermelhidão, coceira, descamação e feridas;
  • secreção que vaza pelos mamilos (descarga papilar). 

Autocuidado

Ter atenção aos sinais que o corpo manda é essencial para a percepção de sintomas causados por diversas enfermidades, e com o câncer de mama não é diferente. O Dr. Gustavo afirma que o importante é que toda mulher conheça o próprio corpo e esteja atenta a mudanças, como os sintomas descritos. 

O que devo sentir ao toque?

“A mama é um órgão muito dinâmico, e alterações na sua textura e consistência são normais ao longo da vida e até mesmo a curto prazo, por exemplo, em um mesmo ciclo menstrual. Quando essas mudanças se tornam persistentes e evoluem – como um nódulo que cresce de tamanho – recomenda-se que a mulher busque atendimento médico", explica o especialista. 

Quando devo ir ao médico?

Consulte o seu médico de confiança e, sempre que tiver alguma dúvida, notar algo diferente como um caroço ou sentir dor nos seios, por exemplo, relate ao profissional. Conhecer o próprio corpo é apenas o primeiro passo para o diagnóstico do câncer de mama.

Além dele, recomenda-se a realização anual da mamografia, a partir dos 40 anos, de acordo com a indicação de sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia. Outros exames também podem ser indicados, como:

  • ultrassom da mama – complementa a mamografia em casos específicos;
  • ressonância magnética – identifica o tamanho do tumor e se ele está afetando outras áreas;
  • biópsia da mama – analisa amostras das lesões da mama para identificar se o tumor é maligno ou benigno. 

Como é tratado o câncer de mama?

A terapêutica para o câncer de mama é multimodal, isto é, emprega várias modalidades de ação. A cirurgia é a abordagem mais indicada quando o tumor se encontra em estágio inicial. Em grande parte das vezes, pode ser realizada somente na região afetada da mama, permitindo sua conservação e preservando a imagem corporal da paciente. Por meio da cirurgia oncoplástica é possível minimizar o prejuízo estético desse tratamento.

“Mesmo quando é necessária a mastectomia – retirada cirúrgica completa da mama afetada – a maioria das pacientes será candidata à reconstrução da mama. Em cada vez mais casos, conseguimos ofertar a cirurgia reconstrutora junto com a da retirada do tumor. No Hospital São Lucas, essas cirurgias são realizadas em conjunto pelas equipes de mastologia e de cirurgia plástica", completa.

A quimioterapia encontra indicação em muitos casos e pode ser realizada antes (neoadjuvante) ou depois (adjuvante) da cirurgia. O exato regime de drogas é decidido pelo oncologista clínico. As opções farmacológicas aumentam a cada dia, com a adoção de métodos seguros e menos tóxicos, como as terapias-alvo e a imunoterapia.

A maioria dos cânceres de mama é sensível a influências hormonais, permitindo que a paciente se beneficie da hormonioterapia (medicações que bloqueiam a ação dos hormônios, combatendo, assim, a proliferação das células tumorais).

A radioterapia é usada, principalmente, nos casos de cirurgia com conservação da mama e nos cenários em que a doença oferece maior risco de recaída. É aplicada sobre a mama e pode ser ampliada para as regiões de drenagem linfática. Tecnologias modernas (radioterapia conformacional) permitem a realização do tratamento com o mínimo de agressão aos tecidos saudáveis. 

Como prevenir o câncer de mama?

A mamografia regular viabiliza a detecção precoce da doença, mas para se prevenir do câncer de mama é preciso ir além. O Dr. Gustavo destaca alguns hábitos que, comprovadamente, diminuem o risco de​ desenvolver câncer de mama:

  • combater a obesidade;
  • praticar exercícios físicos com regularidade;
  • evitar o consumo de álcool;
  • para mulheres com filhos, o ideal é amamentar.

“Por fim, aquelas que têm história de casos de neoplasia na família devem se consultar com o mastologista para avaliar o risco de ter câncer de mama. Em alguns casos, os exames regulares para a detecção precoce da condição são iniciados antes dos 40 anos, e testes genéticos podem ser indicados para identificar uma possível predisposição genética ao câncer", conclui.

Veja mais