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AVC hemorrágico: causas, sintomas e tratamentos disponíveis

Saiba quais fatores de risco do AVC hemorrágico podem ser prevenidos

​​O Acidente Vascular Cerebral (AVC) – também conhecido como derrame – é um mal súbito que atinge cerca de 100 mil pessoas por ano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e necessita de atendimento de emergência para diminuir os riscos de óbito e evitar possíveis sequelas.

A Dra. Flávia Verocai, coordenadora da Unidade Cardiointensiva do Hospital São Lucas Copacabana, explica, neste texto, o que é AVC hemorrágico, suas causas e quais as chances de sobreviver a esse quadro. 

O que é AVC hemorrágico?

O AVC hemorrágico, como o próprio nome sugere, é causado pelo rompimento de um vaso cerebral que conduz o sangue para o cérebro e provoca hemorragia dentro do tecido ou na região entre o cérebro e a meninge, o que impossibilita a circulação na área atingida e leva à perda de sua função. Esse tipo de AVC tem menor incidência entre a população brasileira, mas é grave e letal. 

O que pode causar um acidente vascular cerebral hemorrágico?

Os fatores que levam ao desenvolvimento de um AVC hemorrágico são divididos em duas categorias: não modificáveis e modificáveis. Conheça, abaixo, alguns exemplos de cada uma delas.

  • Não modificáveis – história familiar de AVCh ou aneurisma cerebral; idade (ter mais de 55 anos); etnia (pessoas de ascendência negra ou hispânica) e sexo (homens são mais suscetíveis).
  • Modificáveis – obesidade; sedentarismo; hipertensão arterial sistêmica; abuso de álcool e drogas (como cocaína e metanfetamina); tabagismo; diabetes e apneia do sono.

À lista dos fatores modificáveis a Dra. Flávia adiciona:

  • pressão arterial muito alta e não tratada, que pode levar à ruptura de um vaso cerebral;
  • aneurisma cerebral;
  • más-formações de vasos sanguíneos do cérebro;
  • uso incorreto de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários (medicamentos que “afinam" o sangue). 

Sintomas de AVC hemorrágico

Para reconhecer um AVC, atente-se para os seguintes sinais:

  • dor de cabeça súbita, intensa e sem causa aparente;
  • fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna (especialmente em um lado do corpo);
  • dificuldade para falar e compreender informações básicas;
  • visão turva em um dos olhos;
  • perda da coordenação motora ou do equilíbrio;
  • sonolência inexplicável;
  • crises convulsivas.

O AVC hemorrágico pode causar confusão mental e impossibilitar o paciente de pedir ajuda e explicar o que está sentindo. Para isso, existe o teste RBFH (rosto, fala, braços e horário):

  • rosto – peça para a pessoa sorrir. Veja se um lado do rosto está inclinado ou aparenta estar dormente. O sorriso pode parecer descoordenado ou torto em um dos lados;
  • braços – solicite que a pe ssoa levante os dois braços. Caso ela não consiga ou se um deles cair, a chance de haver um derrame é maior;
  • fala – faça uma pergunta simples, como a idade ou o nome da pessoa. Veja como sai a fala na resposta ou se há dificuldade em formar as palavras;
  • horário – se a pessoa apresentou algum dos sintomas descritos anteriormente, procure atendimento de emergência (na rua, ligue para o SAMU, 192). Além disso, marque o horário para saber quando ocorreram as primeiras manifestações do AVC. 

Quais as chances de sobreviver a um AVC hemorrágico?

De acordo com a Dra. Flávia, a mortalidade desse mal súbito é bem elevada e, no fim de 30 dias, varia entre 40% e 60%. 

Como diferenciar um AVC isquêmico do hemorrágico na tomografia de crânio?

Na admissão de um paciente com AVC isquêmico, é comum que se realize uma tomografia de crânio – os sinais de isquemia aparecem no exame radiológico 48-72h depois do evento. Nesse caso, pontos escuros indicam falta de irrigação sanguínea. Enquanto isso, nas situações de AVC hemorrágico, a tomografia sinaliza o local e a extensão do sangramento por meio da presença de pontos brancos, que representam a existência de sangue. 

Tratamentos

A neurologia é a especialidade indicada para conduzir o tratamento de AVC hemorrágico, que pode ser clínico ou cirúrgico, a depender da complexidade do caso.

“Apesar de não ser neurologista, minha experiência na Unidade Cardiointensiva do Hospital São Lucas Copacabana evidencia que, primeiramente, é fundamental buscar um serviço de emergência ao menor sinal de AVC, pois a equipe vai encaminhar o indivíduo para uma tomografia de crânio, controlar os níveis de pressão arterial e monitorá-lo na unidade de cuidados intensivos", afirma a especialista.

O motivo do sangramento define se a abordagem será clínica (casos de hipertensão e uso de anticoagulantes, por exemplo) ou cirúrgica (quando há ruptura de aneurisma).

“Se o sangramento for muito grande e o nível de consciência do paciente apresentar piora, a cirurgia pode ser necessária para o esvaziamento de um possível hematoma que esteja comprimindo estruturas cerebrais", conclui.​

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