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Como identificar e tratar os diferentes tipos de cefaleia?

Conhecer os motivos que provocam a dor é essencial para o cuidado adequado

As dores de cabeça são condições comuns e é raro encontrar alguém que não tenha passado por isso ao menos uma vez na vida. O que, definitivamente, não significa que elas devam ser encaradas como algo normal. Por mais corriqueiras que sejam, podem ser sinal de algo mais sério, então é preciso identificar suas causas e, por meio do diagnóstico médico, obter seu tratamento adequado.

Segundo a Dra. Ana Carolina Andorinho, neurologista do Hospital São Lucas Copacabana, a cefaleia crônica faz com que a pessoa tenha uma sensação de prejuízo da saúde, e isso, por sua vez, limita as atividades diárias, inclusive em relação à vida social. De acordo com estudos de 2015 do Global Burden of Disease, a cefaleia foi definida como a principal causa neurológica de anos de vida perdidos por incapacidade. 

Diferentes tipos de dor de cabeça

Elas podem ser divididas em dois grandes grupos:

Cefaléias primárias

As primárias são as mais recorrentes e apresentam-se, sobretudo, na forma de enxaqueca. Elas podem estar associadas ao abuso de analgésicos, à cefaleia tensional e à cefaleia trigêmino-autonômica. 

  • A enxaqueca provoca dores recorrentes pulsantes em um dos lados da face ou em cima de um dos olhos, náuseas e vômitos, fotofobia (sensibilidade à luz) e fonofobia (incômodo com barulho). Elas podem ser desencadeadas por estresse, privação de sono, período menstrual, alterações bruscas de temperatura e outros motivos.
  • Abuso de analgésicos – provocada pelo efeito do uso constante de analgésicos para tratar uma dor de cabeça primária. Na maioria das vezes, a base é uma enxaqueca crônica.
  • Do tipo tensional – apresenta-se de modo leve a moderado em toda a cabeça e é acompanhada por dores musculares no crânio, no pescoço e nos ombros.
  • Trigêmino-autonômica divide-se em cinco apresentações, sendo a mais comum delas a cefaleia em salvas. Esse grupo se caracteriza não só pela dor unilateral, mas também pelos sintomas associados no mesmo lado, como lacrimejamento, vermelhidão ocular, ligeira queda da pálpebra e congestão nasal.

É importante salientar que ainda que a dor do tipo trigêmino-autonômica esteja na lista das mais comuns, ela é muito menos frequente que a enxaqueca. Sua incidência acomete apenas 0,1% da população e atinge cerca de três vezes mais os homens que as mulheres. Além disso, costuma ocorrer em ciclos, que podem durar algumas semanas. Durante essas fases, há comportamentos que podem ser gatilhos para a crise álgica, ou seja, que provocam dor, como consumo de álcool, exercícios físicos e até mesmo sono. Suas crises ocorrem à noite, preferencialmente, e caracterizam-se, na maior parte das vezes, por episódios de 45 a 90 minutos de dor e inquietude. ​

Cefaléias secundárias

Já as secundárias são decorrentes de lesões estruturais que podem acometer o encéfalo e as meninges. As dores de cabeça que surgem de maneira súbita e com grande intensidade são sinais de alerta para ocorrências neurológicas mais graves, como a ruptura ou expansão de um aneurisma ou um AVC hemorrágico. É preciso atenção a esses sintomas e buscar atendimento médico o quanto antes.

Quais são as principais condições não neurológicas associadas?

Alguns fatores da rotina e do estilo de vida podem influenciar no surgimento das dores de cabeça. Conheça os principais motivos.

  • Desidratação – não beber água suficiente pode causar ou exacerbar a cefaleia.​ 
  • Anemia – pessoas com anemia não contam com a quantidade adequada de glóbulos vermelhos e isso gera dificuldade em transportar oxigênio para o corpo, ocasionando dores, fadiga e falta de ar. 
  • Estresse – a tensão dos músculos do pescoço e da cabeça podem provocá-las. 
  • Problemas hormonais – a chegada do período da menstruação altera a produção hormonal e os níveis de estrogênio; tais mudanças deixam o organismo mais suscetível ao quadro. 
  • Rotina modificada – alterações no horário de dormir e acordar, ambientes barulhentos e mudanças no ritmo cardíaco podem acarretá-las. 
  • Doenças crônicas inflamatórias – o lúpus, por exemplo, pode desencadear quadro inflamatório sistêmico e exacerbar as dores de cabeça prévias, como a migrânea e a cefaleia tensional. 

Quando procurar ajuda médica?

As cefaleias primárias, mesmo que não representem risco de complicações graves, podem prejudicar a qualidade de vida quando recorrentes. Nesses casos, justifica-se a avaliação médica para a escolha de tratamento para as crises de dor. A atenção deve ser ainda maior aos sintomas que possam sugerir cefaleia secundária. Nesse caso, o atraso do diagnóstico pode postergar o tratamento de uma possível causa urgente, cuja evolução pode representar uma complicação grave.

Cefaleias de início abrupto e que atingem seu ápice em um minuto são um sinal de alerta ainda mais importante e que justificam o atendimento emergencial. Nas consultas, geralmente, são realizados exames de acordo com o tipo de dor, a fim de identificar o que está desencadeando o sintoma. Os principais exames são os de imagem: tomografia e ressonância com o uso de contraste para ajudar na avaliação. Casos mais sérios requerem análise minuciosa do quadro.

Riscos da automedicação

Um costume bem comum entre os brasileiros é tomar remédios por conta própria, sem indicação médica. Além da possível falta de êxito por escolhas inadequadas, a automedicação pode acarretar a insistência no consumo de analgésicos, o que predispõe à transição para uma cefaleia crônica do tipo por abuso de analgésico. 

Vale comentar também que o emprego regular de medicações, sem a busca por atendimento médico, pode levar ao atraso do diagnóstico correto, principalmente das cefaleias secundárias. Por fim, a autoadministração medicamentosa sem orientação médica expõe o paciente a mais efeitos colaterais, desde os mais leves, como náuseas, até os mais graves, como o comprometimento da função hepática, a irritação gástrica grave e o distúrbio glicêmico. ​

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