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O Alzheimer sob a perspectiva do paciente

Estar atento a certos sinais é essencial para descobrir a doença ainda em estágio inicial

​​​Superpremiado pelo Oscar deste ano, o filme Meu Pai, dirigido por Florian Zeller e com interpretação de Anthony Hopkins e Olivia Colman, conta a história de uma filha em busca de conforto para o pai com sintomas de Alzheimer. A obra apresenta a perspectiva de uma pessoa que está vivenciando esse problema, assim como os dilemas do paciente. A seguir, o Dr. Gutemberg dos Santos, neurologista do Centro Médico do Hospital São Lucas, na Gávea, fala sobre os sintomas e tratamentos dessa condição.

Primeiros sinais de Alzheimer precoce

O Alzheimer é uma doença de predisposição genética causada pela morte das células cerebrais que compromete a memória, a linguagem e até mesmo o humor do paciente. Geralmente, ela se apresenta depois dos 65 anos e, por isso, costuma ser vista como uma condição de pessoas idosas. No entanto, há casos em que os primeiros sinais se manifestam de forma precoce – antes dos 30 –, assim, é preciso estar atento para que seja possível iniciar o tratamento o quanto antes.

“O diagnóstico leva em consideração uma avaliação neurológica minuciosa, bem como a utilização de exames complementares. Alguns biomarcadores já estão disponíveis para serem utilizados em casos específicos e outros vêm sendo pesquisados”, diz o médico.

Confira quais são os principais indícios de Alzheimer:

- perda de memória – um dos sinais mais comuns. A retenção de informações recentes fica prejudicada, a pessoa pode fazer perguntas repetidas e, ao contar histórias, confundir os fatos;

- dificuldade com a resolução de problemas – é possível esquecer mesmo os hábitos mais metódicos. No próprio filme, vemos o personagem principal precisar de ajuda para vestir um casaco, pois ele não se lembra como faz;

- errar o caminho de um lugar muito familiar ou sair e esquecer para onde ia – pode ocorrer de o paciente com Alzheimer se perder por não lembrar o trajeto que deve fazer. É preciso atenção e cuidado;

- desorientação – outro sintoma presente em Meu Pai é a dificuldade de acompanhar a passagem do tempo ao longo do dia. Em uma das cenas, o personagem principal acredita ter acabado de acordar, quando, na verdade, já é noite;

- dificuldade com imagens e fisionomias – em alguns casos, o paciente não reconhece – ou confunde – algum familiar e, por vezes, não consegue identificar a própria imagem ao se olhar no espelho;

- esquecimento de palavras – não encontrar palavras adequadas para o que deseja dizer;

- perder objetos – outro acontecimento frequente no filme. O personagem de Anthony Hopkins sempre acha que alguém roubou seu relógio, mas o objeto está guardado no mesmo lugar;

- alterações de humor e personalidade – por sentirem-se confusos, podem acabar desenvolvendo comportamentos ansiosos e desconfiados.

Apesar de não haver cura para esse quadro, um diagnóstico precoce é essencial para o rápido início do tratamento com terapias e medicamentos que retardam a progressão dos sintomas e resguardam a qualidade de vida do paciente.

O tratamento

Ainda que seja uma condição genética, intervenções não farmacológicas, como manter hábitos saudáveis, praticar atividades cognitivas – como o xadrez – e exercícios físicos, geram estímulos cerebrais que podem reduzir os danos do Alzheimer no dia a dia de quem vive com a doença.

“O tratamento medicamentoso é feito para controlar os sintomas e retardar o agravamento da degeneração cerebral provocada pela doença. O médico neurologista recorre ao auxílio de medicações como donepezila, rivastigmina ou memantina, por exemplo. Além disso, recentemente, a FDA, agência reguladora dos EUA, aprovou um anticorpo monoclonal que ataca a proteína mais característica do Alzheimer, a beta-amiloide (ela se acumula no cérebro e forma placas que bloqueiam as conexões entre os neurônios, chamadas sinapses). A descoberta desse inibidor traz esperança para pacientes e familiares”, explica o Dr. Gutemberg.

Além disso, em 2019, um estudo japonês descobriu que as memórias não são necessariamente destruídas, apenas há dificuldade em acessá-las. Nesse sentido, já em abril de 2021, um estudo da St. John’s College anunciou que, com a ajuda de algoritmos, é possível mapear (e prever!) a origem de várias enfermidades, inclusive o Alzheimer. Isso significa que, em breve, será possível prevenir essa doença. Entretanto, hoje em dia e muito provavelmente no futuro, o primeiro passo é o mesmo: consultar um médico regularmente​

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