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Quais são os sintomas da anorexia e como identificá-la?

Vontade excessiva de perder peso pode ser sinal do quadro

​​​​​​Os transtornos alimentares como a anorexia podem surgir na adolescência em razão da sensibilidade característica dessa faixa etária e da forma como os jovens lidam com as mudanças do corpo. A necessidade de adequação aos padrões de beleza nesse momento é muito comum e, para isso, algumas pessoas começam a querer perder peso e fazer atividades físicas para ter um corpo “ideal". Causas psicológicas também podem provocar transtornos alimentares, como abuso sexual; perdas na família; problemas na escola; bullying e separação dos pais, por exemplo. 

Quais são os sintomas da anorexia?

A anorexia nervosa caracteriza-se por um comportamento anormal em relação à comida: a pessoa quase não come por causa da obsessão em emagrecer, mesmo quando o peso já está abaixo do normal. O transtorno, em grande parte, é de difícil percepção tanto pelo paciente, que não consegue ver seu corpo com satisfação, quanto por amigos e familiares, que só percebem que algo não está bem quando veem a magreza extrema do indivíduo.

Quem tem anorexia costuma ser mais introvertido, ansioso e apresentar um quadro de depressão associado, assim como mudança na rotina de sono, instabilidade emocional, irritabilidade excessiva, fobia social e comportamento obsessivo-compulsivo associados à alimentação e aos exercícios físicos.

Segundo Bárbara Falcão, psicóloga do Centro Médico do Hospital São Lucas Copacabana, a anorexia nervosa começa a manifestar-se pelo somatório de quatro fatores: adolescência, conduta alimentar restritiva, emagrecimento e amenorreia (ausência de menstruação no período em que ela deveria acontecer). Mesmo depois de o transtorno já estar em curso, durante algum tempo, ele consegue ser camuflado por meio de comportamentos típicos da idade, como a adoção de um regime comum ou uma dieta da moda.

Da mesma forma, as perturbações psicológicas que surgem, inicialmente, são associadas a posturas próprias da adolescência, seja alguma mudança de atitude, irritabilidade, humor depressivo e tendência ao isolamento, seja hiperatividade. De fato, o mais comum é que as primeiras manifestações do quadro, tanto alimentares quanto psicológicas, passem despercebidas.

A presença desses sinais é indicador da possibilidade de anorexia nervosa. Portanto, os pais devem estar sempre atentos a dietas alimentares restritivas ou recusas de alimentos, manifestações de obsessão por alimentação e exercício físico e, principalmente, demonstrações exageradas de preocupação quanto à aparência física, ao peso e à imagem corporal.

Caso os pais notem que o adolescente apresenta uma ou mais dessas características, recomenda-se que procure o auxílio de um psicólogo, que o encaminhará para uma equipe multidisciplinar especializada.

Tipos de transtornos alimentares e como diferenciá-los

Os transtornos alimentares apresentam alterações no modo como algumas pessoas se alimentam: passam muitas horas sem comer, fazem uso frequente de laxantes, evitam sair para comer em locais públicos ou comem compulsivamente. Além disso, tais transtornos costumam estar ligados à ansiedade, à depressão e aos problemas emocionais relacionados com a família ou com grupos sociais. Confira os mais comuns a seguir. 

Anorexia nervosa

conhecida como anorexia, é um transtorno no qual a pessoa vê seu corpo sempre com excesso de peso, mesmo que ela esteja claramente com baixo peso ou desnutrida. Nessa condição, existe no jovem um receio intenso de ganhar peso e uma obsessão em emagrecer, sendo sua principal característica a rejeição a qualquer tipo de comida.  

Bulimia

caracteriza-se por episódios de compulsão alimentar nos quais a pessoa come grandes quantidades de comida e, em seguida, força o vômito ou toma laxantes e diuréticos para se livrar do que comeu. Assim, ela fica sem comer ou pratica atividades físicas em excesso para perder peso.

Compulsão alimentar

é quando a pessoa se alimenta exageradamente em um curto espaço de tempo, mesmo sem ter fome, e perde o controle sobre a quantidade de comida consumida, mas, nesse caso, sem hábitos compensatórios para a perda de peso, o que faz com que o indivíduo fique com excesso de peso. 

Ortorexia

preocupação exorbitante em relação à preparação do alimento, desde a compra dos ingredientes até a forma com a qual ele será servido no prato. 

Vigorexia

conhecida como transtorno dismórfico muscular ou síndrome de Adonis, é definida por uma obcecação em ter o corpo perfeito, o que induz à prática desmedida de exercícios físicos. 

Transtorno alimentar noturno

também conhecido como síndrome do comer noturno, é caracterizado pela falta de apetite durante o dia que é compensada por uma grande ingestão de comida durante a noite, junto com a insônia. 

Transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE)

em alguns indivíduos a restrição alimentar pode se basear em características como qualidade do alimento e uma sensibilidade extrema à aparência dele, à cor, ao odor, à textura, à temperatura ou ao paladar. É muito comum em pacientes portadores de autismo. 

Quem são os profissionais que cuidam de jovens com anorexia?

Primeiro será necessária uma avaliação médica e psiquiátrica, em conjunto, para averiguar o contexto clínico. Se o paciente não corre risco de morte, o tratamento pode ser feito de forma ambulatorial, com psicoterapia, reabilitação nutricional e medicamentos. Em geral, exige-se o trabalho de equipe multidisciplinar com médicos, psicólogo e nutricionista.

O que fazer se alguém que conheço exibe sintomas de anorexia?

Saber quais sinais detectar em uma pessoa com anorexia é um passo importante para constatar esse transtorno nas primeiras fases de desenvolvimento e ajudar na procura de solução, que, normalmente, é iniciada por um psicólogo. Ao notar os hábitos indicados a seguir em seu filho ou em algum conhecido, preste socorro, demonstre apoio e busque atendimento médico para um diagnóstico preciso e a condução de um tratamento adequado. Confira: 

  • muita preocupação com a quantidade de calorias dos pratos;
  • exagero na prática de atividades físicas;
  • falta de desejo de participar das refeições familiares e com amigos;
  • depressã​o;
  • comportamento obsessivo-compulsivo;
  • problemas de baixa pressão arterial;
  • desmaios;
  • lábios secos;
  • muito cansaço e fadiga constante;
  • tonturas.

O crescimento de um filho precisa ser acompanhado de perto pelos pais, que facilmente perceberão algumas mudanças no decorrer do tempo, ainda que de maneira sutil no início. Dessa forma, entender o que ele passa e conversar sobre as transformações do corpo, afirmar sua beleza e identidade e dizer que são importantes e prestar apoio nas dificuldades gera benefícios para a saúde emocional da criança e do adolescente que eles carregarão por toda a vida.

De acordo com Bárbara, a seguinte situação é comum: com o passar do tempo, os pais começam a se incomodar com o regime da filha, tão severo e restrito, tendo sua preocupação agravada pela indiferença da jovem com seu progressivo emagrecimento.

“Quando tentam convencê-la a mudar seu propósito de perder peso, lidam com uma atitude desafiadora da adolescente que frequentemente os surpreende, por ser diferente de um comportamento anterior, marcado pela submissão dos filhos à autoridade dos pais. É comum, nesse momento, os pais confundirem a atitude confrontadora como um comportamento normal de adolescente, e não um reflexo da doença", explica a psicóloga.

Ao mesmo tempo em que se tornam alvos de desprezo por não partilharem do projeto de redução de peso da jovem, os pais veem o padrão alimentar adquirir um lugar central no cotidiano da filha, de maneira que os conflitos preexistentes, tanto individuais quanto familiares, dão lugar a preocupações ou discussões em torno de uma só questão: comer ou não comer.

A psicóloga diz ainda que é importante destacar que, mesmo com tratamento adequado, uma parcela dos pacientes manifesta ganho de peso seguido de perda de peso. Já outros apresentam novas demonstrações de anorexia nervosa anos depois de passarem por tratamento.

Dessa forma, a anorexia é um distúrbio que pode vir a apresentar recaídas durante o tratamento. Ou novas manifestações do quadro em pacientes anos depois do fim do tratamento, mesmo quando ele se mostra adequado. Portanto, são necessários o constante acompanhamento psicoterápico dos pacientes, assim como a devida supervisão dos distúrbios associados, como a depressão e a ansiedade.

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