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Você sabe o que é fome hedônica?

Saiba o porquê de ela acontecer e como diferenciar os tipos de fome

Foi Apício, o gourmet, romano do século I, que supostamente disse: “Nós comemos primeiro com os olhos.”. Quem nunca achou nada para comer mesmo com a geladeira cheia ou ficou com fome mesmo quando o corpo ainda não deu sinal de que precisa se alimentar? Esses sinais demonstram que a mente não está procurando uma fonte de energia, e sim uma forma de aplacar um sentimento ou sensação. Trata-se da fome hedônica.

Segundo a dra. Luciana El-Kadre, coordenadora do Centro de Diabetes e Obesidade do Hospital São Lucas Copacabana, e Bárbara Falcão, psicóloga do mesmo centro, uma proporção crescente do consumo humano de alimentos é impulsionada pelo prazer, não apenas pela necessidade de calorias. O desejo de comer também pode estar ligado a razões psicológicas, como ansiedade, estresse ou momentos de instabilidade emocional transitória.

“Comemos por memórias afetivas que são resgatadas quando sentimos certos cheiros, porque o alimento parece visualmente atraente ou porque estamos tristes, felizes, sozinhos ou acompanhados”, explica a dra. Luciana.

A fome hedônica é um comportamento muito comum, e todas as pessoas acabam passando por ela em algum momento da vida, mas o importante é saber identificar quando a fome é real e quando não é. A fome “real” ocorre quando o corpo precisa se alimentar e os sinais mais claros são tontura, dores na cabeça e no estômago. Uma pessoa com fome não costuma escolher um tipo certo de comida para saciar a fome, já que o corpo apenas demanda alimentos.

Por outro lado, a fome hedônica se manifesta em períodos de estresse e de ansiedade – como momentos de dificuldades financeira ou emocional – e desencadeia vontades específicas, como comer algo que dê a sensação de satisfação ou de calma. Nela, come-se por prazer.

Quando a fome hedônica é frequente, pode ser consequência do aumento de respostas neurais e perceptivas que geram uma predisposição ao abuso de ingestão de alimentos saborosos, porém altamente calóricos em sua maioria. Esse comportamento também pode ocasionar maior probabilidade de compulsões alimentares que influenciam no ganho de peso.

Segundo a dra. Luciana, a fome hedônica demanda atenção e acompanhamento. Nesses casos, é necessário investigar as origens dos sentimentos e das emoções ligados à ingestão de determinados alimentos e tratá-los para que o ato de comer em si deixe de ser um processo psicológico de satisfação ou recompensa e torne-se somente um ato de alimentar o corpo com os nutrientes calóricos necessários.



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