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Atingindo 4 milhões de pessoas no país bipolaridade deve ser bem cuidada

Doença que atinge cerca de 4,2 milhões de brasileiros, a bipolaridade se caracteriza pela alternância entre depressão e euforia (mania, como dizem os médic

​A banalização do problema é muito perigosa, por se tratar da enfermidade que registra mais mortes por suicídio: cerca de 15% dos pacientes. Em pessoas bipolares, o risco de apresentar comportamento suicida chega a ser 28 vezes maior do que no resto da população. A expectativa de vida de homens bipolares é 13 anos menor e das mulheres, 12 anos menor do que da população em geral, segundo estudo feito na Dinamarca. Chamada de psicose maníaco depressiva (PMD), termo considerado estigmatizante, a patologia ganhou o nome de transtorno bipolar nos anos 1980.

A psiquiatra e psicanalista Sandra Maria Melo Carvalhais, coordenadora do curso de psiquiatria da Faculdade Ipemed de Ciências Médicas, em Belo Horizonte, ressalta que é muito comum dizer que uma pessoa “tem bipolaridade” por apresentar humor variável, demonstrando estado de tristeza em alguns momentos e, em outros, humor elevado, sem haver motivos aparentes para a mudança. Entretanto, isso pode ser uma variação de humor normal, que ocorre com qualquer pessoa no dia a dia. “Não existe uma causa definida. Sabemos que há predisposição hereditária, vulnerabilidade e fatores que influenciam numa crise: eventos estressantes da vida ou estresse prolongado (conflitos interpessoais, perdas, mudanças que exigem muita adaptação) e o uso de substâncias psicoativas”, diz Sandra.

Segundo a psiquiatra, é possível falar em bipolaridade quando essas alterações se tornam mais intensas, repetitivas, interferem e comprometem a vida da pessoa de forma mais significativa. Nesse caso, trata-se do transtorno afetivo (do humor) bipolar que se evidencia por episódios nos quais o humor e o nível de atividade do paciente estão profundamente perturbados. A bipolaridade é um transtorno psiquiátrico que se diferencia, grosso modo, pela manifestação de episódios depressivos, hipomaníacos e/ou maníacos ao longo da vida de um indivíduo.

“Segundo o DSM-5, a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, os episódios são variados, e os mais comuns são transtorno bipolar (TAB) tipo I, tipo II, tipo misto e transtorno ciclotímico. E ainda, com características próprias, há outros: o relacionado ou induzido por substância/medicamento, o relacionado devido a outra condição médica, o transtorno relacionado especificado e o transtorno relacionado não especificado”, explica o psiquiatra Adriano Simões Coelho.

Particularidades

No tipo I, o paciente apresenta os episódios de mania alternados com as fases depressivas, não necessariamente em uma sequência, em que uma sucede à outra. As fases depressivas costumam ser mais frequentes. No tipo II, há ocorrências depressivas alternadas com fases de hipomania, quando os sintomas não são tão intensos. “Depressão é diferente de tristeza, que é uma reação normal a estímulos negativos. A depressão costuma ser mais duradoura e intensa, a pessoa não reage a estímulos positivos, causa prejuízos funcionais e não é necessário ter um fator causal”, esclarece Coelho.

Fonte: Correio Braziliense



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